Ciência do dormir: o que acontece no cérebro durante o sono

07 de julho, 2021

Ciência do dormir: o que acontece no cérebro durante o sono

Você sabe o que acontece com o seu cérebro durante o sono? A resposta para essa pergunta é longa. Enquanto o seu corpo descansa, a sua cabeça não para de trabalhar. E alguns desses trabalhos são exclusivos da hora de dormir e, mais do que isso, essenciais para a sua saúde.

O cérebro durante o sono funciona como os funcionários da manutenção do metrô: você não vê que eles estão lá, mas se não fossem por eles fazendo limpeza e corrigindo os problemas que começaram durante o dia, os trens não funcionariam bem na manhã seguinte. É a mesma coisa, só que no seu organismo.

Aliás, são funções tão parecidas que até surpreende: limpeza e correção de “falhas” fazem parte da lista de tarefas do seu cérebro durante o sono.

O que acontece no seu cérebro durante o sono

A lista de atividades cerebrais é tão grande que poderíamos ficar até amanhã publicando ela por aqui, mas aqui vão algumas das principais. 

1. Produção dos sonhos

Os sonhos são possivelmente a atividade mais “famosa” do cérebro durante a noite. Eles podem acontecer em quaisquer fases do sono, mas acabam sendo mais vívidos no chamado período do sono REM – Rapid Eye Movement.

Durante o sono REM, a atividade cerebral é bastante intensificada em comparação ao restante da noite e, justamente por isso, os sonhos acabam sendo mais intensos e, muitas vezes, retratando situações surreais e bizarras, sem seguir as leis de tempo, espaço e física. 

O porquê de nós sonharmos, porém, segue sem uma resposta definitiva. Ao mesmo tempo, existem várias explicações, algumas delas comprovadas e outras teóricas. Uma das teorias mais recentes, publicada em uma longa matéria da revista Time, relaciona os sonhos com a adaptabilidade e flexibilidade do cérebro.

2. Regeneração de traumas no cérebro

Por traumas, que fique claro, nos referimos a feridas físicas e não casos de saúde mental.

Um estudo da Universidade de Saúde e Ciências do Oregon publicado no Journal of Neurotrauma usou a ressonância magnética para avaliar o aumento dos espaços perivasculares ao redor das veias cerebrais. O aumento desses espaços é natural com a idade e associado ao desenvolvimento de demência

No estudo, foi visto que pessoas que dormem mal têm mais evidências desses espaços aumentados e de sintomas de pós-concussão. 

“Esse estudo sugere que o sono pode ter um papel importante na limpeza do cérebro depois de um traumatismo cerebral e que se você não dormir bem, você pode não conseguir limpar o seu cérebro tão bem”, explicou Juan Piantino professor assistente de neurologia infantil e autor líder do estudo.

3. Consolidação de aprendizados

Quem nunca “virou” uma noite nos tempos de colégio ou faculdade para estudar para uma prova especialmente difícil? Talvez esse conselho tenha chegado um pouco tarde, mas aí vai: isso não serve para nada. Na verdade até serve, mas apenas para te deixar com o raciocínio mais lento devido à falta de sono.

Isso porque você precisa dormir para de fato aprender.

O cérebro durante o sono transforma os fatos em memórias efetivas, que podem inclusive chegar a ser eternas. Sim, é porque dorme que você ainda se lembra da fórmula de bhaskara ou que “a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado hipotenusa”. 

É como se, durante o dia, o que você aprende fosse colocado em uma pasta temporária, o hipocampo. Já durante a noite, acontece a transferência para uma “pasta definitiva”, o neocórtex. 

4. “Faxina” para abrir mais espaço

Além de transformar “decorebas” em aprendizados, o sono acaba também abrindo espaço para a criação de novas memórias. É por esse motivo que não dormir pode derrubar a capacidade de retenção de informações em até 40%.

Estudos inclusive já conectam a apneia do sono com a perda de memória. 

5. Aumento do fluxo de sangue e limpeza de toxinas

Durante a noite, o fluxo sanguíneo no cérebro aumenta e as células cerebrais diminuem de tamanho. Isso acontece para permitir que substâncias nocivas acumuladas durante o dia possam ser eliminadas. Uma delas é a beta-amilóide, que também é conhecida como “proteína do Alzheimer”. Placas de beta-amilóide são o primeiro sinal da doença.

Ao não dormir a quantidade de horas necessárias, uma pessoa pode não ter tempo de eliminar a quantidade adequada da proteína e, consequentemente, desenvolver um risco aumentado de desenvolver o mal de Alzheimer. 

6. Desenvolvimento da criatividade

Quem explica é o neurologista e professor Matthew Walker, uma das maiores autoridades do mundo em temas de sono. 

De acordo com Walker, é durante o sono REM (e mais especificamente durante os sonhos) que o cérebro faz colidirem os acontecimentos do seu dia com todo o seu “catálogo autobiográfico” armazenado. Por meio desse cruzamento noturno de informações, criamos um mundo de novas associações.

É por isso que, muitas vezes, pessoas que trabalham com criatividade relatam acordar no meio da noite uma ideia brilhante que “não vinha” de jeito nenhum durante o dia. Pelo mesmo caminho vai aquele conceito de “dormir em uma ideia” antes de tomar uma decisão importante.

7. Consolidação de memórias positivas

A saúde mental é muito beneficiada pelo sono, sobretudo pelo sono REM. 

Enquanto ele acontece, o cérebro processa informações emocionais. Como o sono REM vai ficando mais duradouro depois de algumas horas de sono, dormir pouco tem consequências profundas na nossa capacidade de consolidar memórias positivas. Em outras palavras, o sono ruim favorece sentimentos negativos e intensifica os sintomas de problemas emocionais. 

Não é à toa que a insônia comprovadamente aumenta as chances de uma pessoa desenvolver baixa autoestima e uma autoimagem ruim.

8. Redução dos sintomas de ansiedade

Não dormir é capaz de aumentar em 30% os níveis de ansiedade de uma pessoa. Ou seja, pode-se dizer que o cérebro tem funções ansiolíticas.

Isso tem relação com o córtex pré-frontal medial, que é “desativado” depois de uma única noite em claro.

Em outras palavras: dormir é muito mais do que um simples descanso para o corpo. O sono é parte essencial na constituição da saúde dos animais, o que, claramente, inclui os seres humanos. Dormir bem para viver melhor.

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