Como diagnosticar e tratar o bruxismo

22 de novembro, 2021

Como diagnosticar e tratar o bruxismo

Ranger ou apertar os dentes é uma reação normal de qualquer pessoa em situações de medo, estresse, ansiedade ou tensão. Muitas vezes a pessoa nem sequer percebe que está com a mandíbula tensionada e só vai se dar conta quando começa a sentir dores ou quando relaxa. Só que em alguns casos essa ação é involuntária e incontrolável. É aí que ela recebe o nome de bruxismo.

Apesar de ser classificado como distúrbio do sono e estar incluído no ICSD (International Classification of Sleep Disorders), o bruxismo também pode acontecer de dia e, inclusive, é mais facilmente detectável nestes casos. 

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Outro erro comumente divulgado é que este é um problema infantil, quando na verdade ele pode aparecer em pessoas de todas as idades. 

O que é o bruxismo do sono

O bruxismo do sono é um distúrbio oral do movimento caracterizado pelo ranger ou apertar dos dentes. Este movimento é involuntário e geralmente está associado a microdespertares com duração que vai de 3 a 15 segundos e que podem acontecer dezenas de vezes em uma mesma noite.

O nome bruxismo, aliás, já explica o problema. A palavra vem do grego brychein, que significa ranger de dentes. Não, não tem nada a ver com bruxas.

Nos casos de bruxismo em pessoas acordadas, também chamado de bruxismo diurno, os episódios são marcados pela pressão exercida entre os dentes, com poucas aparições de rangimento. Aqui, os movimentos são semivoluntários e estão mais relacionados a um tique nervoso.

Outra das distinções entre eles está na intensidade exercida pelo movimento característico da doença. Dormindo, a mordida é mais forte e pode chegar a uma força de quase 115 quilos

Por tudo isso, o bruxismo do sono e o bruxismo diurno são considerados distúrbios etiologicamente diferentes

Fatores de risco para o bruxismo 

As características do bruxismo fazem com que saber precisamente a sua prevalência seja um desafio bastante complexo. De acordo com o ICSD, até 90% da população mundial em algum momento irá ranger os dentes, com maior ou menor intensidade.

Uma estimativa da OMS, porém, aponta que o bruxismo em si afeta cerca de 30% das pessoas. No Brasil essa porcentagem pode chegar até 40% nos dados mais recentes. A pandemia de Covid-19 fez com que estes números subissem ainda mais.

Separando por faixas etárias, nas crianças as taxas são bastante maiores e alguns estudos indicam que quase metade delas sofre do ranger dos dentes. Com o passar dos anos, a prevalência vai diminuindo: 15% dos adolescentes, 8% dos adultos depois dos 30 anos e apenas 3% dos idosos

Aí está, portanto, o primeiro fator de risco para o bruxismo: a idade. Apesar de ele poder aparecer em quaisquer fases da vida, é mais comum na infância e tende a desaparecer ao longo da vida.

Outra condição de risco bastante evidente é psicológica: o estresse e a ansiedade tornam uma pessoa mais propensa a ranger os dentes.

Também foram encontradas correlações entre o consumo elevado de açúcar e o tempo de exposição a telas e eletrônicos com a aparição do bruxismo.

A genética, a personalidade agressiva ou hiperativa, o refluxo gastrointestinal, o consumo de tabaco e cafeína e até mesmo a apneia do sono e a presença do terror noturno também são fatores de risco. 

Diagnóstico do bruxismo do sono

Ao contrário de outros distúrbios do sono, que afetam a rotina diária de uma pessoa, o bruxismo do sono não causa grandes impactos no dia a dia. Muitos que sofrem com ele nem sequer imaginam que isso esteja acontecendo. 

Para pessoas que dormem acompanhadas, o caminho para o diagnóstico geralmente começa com os relatos do parceiro ou parceira sobre o barulho alto e bastante incômodo que é gerado pela fricção dentária.

Quem dorme sozinho acaba dependendo de visitas ao dentista, que pode observar desgastes nos dentes ou até mesmo uma movimentação atípica da sua posição. 

Os diagnósticos de bruxismo acabam sendo quase que inteiramente clínicos. O médico pode solicitar uma polissonografia, mas em muitos casos ela não é necessária. Em outros, acaba sendo usada mais para entender se existe associação entre este e outros distúrbios. 

Sintomas a serem observados

Se você não dorme acompanhado ou se seu parceiro nunca reportou que você está rangendo os dentes algumas vezes durante a noite, aqui vão alguns sintomas que podem ser observados e reportados a um médico ou dentista:

  • Desgaste anormal dos dentes
  • Desconforto ou dor na mandíbula 
  • “Travamento” da mandíbula
  • Deslocamento da mandíbula
  • Sensitividade alta dos dentes 
  • Machucados inexplicáveis na parte interna da bochecha.

O critério mínimo de diagnóstico é uma associação do barulho emitido pelo ranger dos dentes associado ao desgaste dental ou à dor muscular na mandíbula.

O bruxismo é perigoso?

Não. O bruxismo não é perigoso no sentido mais literal da palavra, já que ele não causa potenciais acidentes como o sonambulismo ou interrompe a respiração, como a apneia. Mas isso não quer dizer que ele seja um problema que não cause incômodos ou que possa ser ignorado.

Dependendo da intensidade do rangimento, ele pode causar graves danos à arcada dentária, como erosão e aumento da mobilidade. Isso sem falar na dor.

A famosa ATM, articulação temporomandibular, também pode sair prejudicada com dores crônicas e até dificuldade na mastigação. 

Bruxismo é coisa séria.

Como funciona o tratamento do bruxismo

Até o presente momento não existe cura para o bruxismo do sono e nem um tratamento padrão que funcione para todos os casos.

O tratamento depende das particularidades de cada caso a ser analisada pelo médico ou dentista responsável por ele. Há casos, aliás, que nem sequer precisam de tratamento porque eles não supõem prejuízos ao paciente e nem apresentam sintomas significativos. 

Mas para aqueles que exigem tratamentos, eles podem ser divididos entre psicológicos, odontológicos e farmacológicos

Tratamentos odontológicos

Definitivamente o tratamento mais conhecido para casos de bruxismo é o uso de placas oclusais, cujo valor pode variar de R$250 a R$500 dependendo do material utilizado (acrílico ou silicone). 

Essas placas não reduzem os episódios do distúrbio, mas protegem os dentes das mordidas e rangidas involuntárias, além de ajudar em um processo de mudança comportamental.

Placas de avanço mandibular, usadas em pessoas com ronco crônico, também podem ser uma opção, já que estabilizam a boca e a mandíbula em uma posição específica que evita que os dentes superiores e inferiores se apertem. 

Tratamentos psicológicos 

Com a ansiedade e o estresse sendo dois grandes fatores de risco, não é de se estranhar que o controle dos distúrbios de saúde mental e emocional também façam parte do rol de cuidados com o bruxismo.

A terapia comportamental baseada em higiene do sono, afastamento de situações estressantes, ressignificação de pensamentos negativos e técnicas de relaxamento é um dos caminhos indicados

Tratamentos farmacológicos

diferentes remédios, com diferentes objetivos, que podem ser usados no controle do bruxismo, como os antidepressivos, ansiolíticos, anticonvulsivos e relaxantes musculares. 

A toxina botulínica (o famoso Botox) também tem sido usada para combater casos de dentes rangendo. Seus efeitos demoram até quatro dias para aparecerem e podem durar quatro meses. 

Lembre-se sempre que apenas um médico ou dentista pode diagnosticar um caso de bruxismo e que cabe a ele determinar a gravidade e qual será o tratamento a ser seguido. Boa noite.

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