Privação do sono e envelhecimento precoce: da pele ao Alzheimer

27 de agosto, 2021

Privação do sono e envelhecimento precoce: da pele ao Alzheimer

A lista de consequências de menosprezar o sono é enorme. Poderíamos passar dias e mais dias falando do que acontece com aqueles que acham que tudo bem dormir apenas quatro horas por noite. Mas tem um problema que a privação do sono causa que com certeza vai te fazer repensar o “trabalhe enquanto eles dormem“: é o envelhecimento precoce.

Envelhecer mais rápido é uma das consequências de dormir mal. E quando falamos em envelhecer, falamos de aparência, de bom funcionamento do organismo e até mesmo de apetite sexual.

“Quanto mais curto for o seu sono, mais curta será a sua vida”

É igualmente chocante e real: dormir pouco pode acelerar a morte de uma pessoa. Mesmo que não chegue a isso, com certeza vai reduzir drasticamente a sua qualidade de vida.

A frase acima é de Matthew Walker, cientista, professor de neurociência e um dos maiores especialistas em sono em todo o mundo. Ela foi dita durante o Ted Talk “Dormir é o seu Superpoder”, de 2019. 

Veja, não é que dormir bem previne o envelhecimento, afinal todos vamos envelhecer um dia. Acontece que dormir mal impulsiona o envelhecimento precoce, acelerando processos que, de outra maneira, aconteceriam mais lentamente.

Um estudo da UCLA mostrou exatamente isso: uma única noite de sono curto faz as células de um adulto envelhecerem mais rápido, com potencial de fazer emergir doenças como esclerose múltipla, problemas no coração e câncer, apenas para sinalizar algumas. 

O resultado está na pele

Falar em envelhecimento precoce é falar de pele, afinal é nela que costumam aparecer os primeiros sinais da idade. O espelho que o diga!

A cútis é a primeira delatora de uma noite mal dormida. Prova disso são as olheiras: a região ao redor dos olhos escurece e fica mais flácida pois, sem sono, não existe uma troca celular adequada.

Já deu para notar uma correlação importante: o sono ruim é gritante na pele. Isso tanto a curto como a longo prazo.

A privação do sono está altamente associada com o envelhecimento precoce da pele, sendo responsável por intensificar a aparição de linhas finas, pigmentação irregular e redução da elasticidade. Além disso, a recuperação desses danos é muito mais devagar com o passar dos anos. 

O estudo que demonstrou isso é bastante enfático: “sono inadequado e de qualidade pobre acelera o envelhecimento. E vai além: “quem dorme mal tende a ficar mais insatisfeito com a sua aparência se comparado a quem dorme bem”.

Ou seja: os problemas de pele causados pelo sono não apenas se intensificam, como ainda são mais difíceis de recuperar e derrubam a autoimagem de uma pessoa. Um combo difícil de lidar.

A produção de colágeno em idades avançadas

O colágeno corresponde a aproximadamente 30% da composição proteica dos seres humanos, sendo assim a proteína mais abundante no nosso corpo, além de queridinha dos amantes dos tratamentos de skincare.

O colágeno tem papel fundamental para uma pele sem rugas e mais elástica, unhas mais fortes e cabelos com mais brilho, além de fortalecer a mobilidade de músculos, tendões e ossos.

Ao redor dos 25 anos de idade, pouco a pouco a produção dessa proteína começa a decair. Dormir mal acelera esse processo, uma vez que existe um vínculo direto entre distúrbios no ritmo circadiano e a sintetização do colágeno. 

O consumo descontrolado de açúcar, a exposição ao sol sem proteção e o estresse também favorecem a perda de colágeno. O estresse, aliás, significa mais cortisol. Mais cortisol significa menos melatonina, que por sua vez significa menos sono. Menos sono é sinônimo de pele pior.

O envelhecimento precoce da pele é uma ladeira abaixo sem freios para quem não cuida do sono.

O envelhecimento precoce que não se vê

Alguns dos prejuízos a longo prazo à saúde causados pelo sono não são tão aparentes, mas isso não quer dizer que eles não estejam ali. É o caso, por exemplo, do Alzheimer e da queda dos níveis de testosterona.

Alzheimer

Uma das funções mais importantes do cérebro durante o sono é a de faxina, ou seja, a limpar e eliminar aquilo que não serve mais. 

Enquanto dormimos, acontece um aumento do fluxo sanguíneo no cérebro e uma diminuição de tamanho das células para que substâncias nocivas que foram acumuladas durante o dia sejam eliminadas. Uma dessas substâncias é a beta-amilóide, também conhecida como “proteína do Alzheimer”. 

Quando não dormimos o suficiente, não oferecemos ao cérebro o tempo necessário para a sua limpeza. A longo prazo, essa faxina insuficiente acaba formando placas dessa proteína. O surgimento de placas de beta-amilóide é o primeiro sinal de que uma pessoa sofre de Alzheimer. 

Níveis de testosterona

Anote o dado: homens dormem menos de cinco horas por noite podem ter níveis de testosterona de alguém dez anos mais velho

Depois de dormir cinco horas por noite por uma semana, o nível deste hormônio cai entre 10 e 15% nos homens. Como comparação, o envelhecimento regular é associado a uma queda de testosterona de 1 e 2% por ano.  

Considerado o principal hormônio masculino, a testosterona é responsável pela manutenção da função reprodutiva no homem, massa muscular, força, libido, pelos no corpo e ereção matinal.

Está na pele, está na libido e está no cérebro: o sono é uma ferramenta importante no combate ao envelhecimento precoce. Boa noite.

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