Vigorexia: quando treinar e levantar peso vira um vício perigoso

Quer receber mais conteúdos gratuitos sobre o sono?

CloseIconMenu

06 de abril, 2022

Vigorexia: quando treinar e levantar peso vira um vício perigoso

Vigorexia: quando treinar e levantar peso vira um vício perigoso

Naturalmente associamos a prática de exercícios físicos à saúde física e à saúde mental. Essa é uma associação que faz total sentido. Mover-se ajuda a cuidar do corpo e da cabeça em uma infinidade de sentidos, mas como tudo na vida, a atividade física em excesso também faz mal e pode ser sinal de um distúrbio conhecido como vigorexia.

A vigorexia também tem outros nomes: dismorfia muscular e complexo de Adônis. Adônis na mitologia grega era um jovem de muita beleza, disputado por Afrodite (deusa da beleza, do amor e da sexualidade) e Perséfone (rainha do submundo, casada com Hades) a tal ponto que Zeus sentenciou que ele passasse um terço do ano com cada uma delas. Por preferir Afrodite, ele passava o terço restante do ano com ela. 

Em suas representações, Adônis sempre aparece como um homem belo e muito forte, o que tem tudo a ver com o distúrbio que ele representa. 

Um pouco mais sobre a Vigorexia

A vigorexia, ou dismorfia muscular, nome científico do transtorno como listado no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª Edição) é um transtorno dismórfico corporal no qual ocorre uma preocupação excessiva com a ideia de que o próprio corpo é insuficiente magro ou insuficiente musculoso, mesmo que o corpo tenha uma aparência padrão normal ou ainda musculoso. 

A pessoa com vigorexia se enxerga menor do que ela realmente é e nunca se sente musculosa o suficiente. É uma espécie de versão oposta da anorexia.

Todos esses sintomas provocam sensações adversas, como ansiedade e depressão

Quem sofre com esse transtorno pode chegar a fazer dietas extremas e exagerar na prática de exercícios físicos, levantando pesos excessiva e repetidamente, podendo causar danos ao próprio corpo. Alguns chegam ao extremo de usar esteroides anabolizantes e outras substâncias sem orientação médica. Nestes casos, os dados podem ser ainda maiores. 

O DSM-5 ainda menciona a possibilidade de vigorexia por procuração, quando o transtorno é projetado nos defeitos que a pessoa enxerga das demais.

Incidência

A vigorexia é um transtorno que atinge majoritariamente homens, em uma incidência que pode chegar a até 30% das pessoas do gênero masculino entre 17 e 35 anos. Estimativas apontam, porém, que cerca de apenas 10% dos casos são apropriadamente tratados.

Isso acontece porque o Transtorno Dismórfico Corporal, outro nome encontrado na literatura, é uma doença “oculta” que faz muitos pacientes procurarem apenas cirurgiões plásticos ou dermatologistas, por exemplo, em busca de uma autoimagem melhor. 

Não surpreendentemente, entre pessoas que frequentam academias assiduamente e fisiculturistas os casos de vigorexia são proporcionalmente maiores do que no restante da população.

Diagnóstico da vigorexia

Até por não estar incluída no CID, a dismorfia muscular não tem critérios diagnósticos muito bem estabelecidos. O processo costuma levar em conta algumas características clássicas do transtorno, como a preocupação excessiva com o aspecto físico e os extremos que a pessoa faz para chegar ao seu objetivo.

Esse objetivo acaba nunca sendo alcançado, já que o distúrbio faz com que a pessoa se veja de maneira distorcida. 

Em geral, o processo de diagnóstico especialista leva em conta alguns aspectos do comportamento.

Sintomas 

Abaixo você conhece alguns dos sinais mais comuns da vigorexia:

  • Levantamento excessivo de pesos;
  • Sentimento de culpa quando não treina;
  • “Necessidade” de treinar mesmo estando doente ou lesionado;
  • Uso de anabolizantes ou outras drogas para aumento de performance;
  • Sensação de inferioridade em relação aos demais;
  • Relação extrema com espelhos: ou evita a todo custo ou olha a todo momento; 
  • Fuga de situações que possa mostrar o corpo, como a praia; 
  • Relação tóxica com a alimentação, fazendo dietas extremas e de rigidez impraticável;
  • Desinteresse pela vida social em troca de passar mais tempo cuidando do corpo.

Tudo isso pode causar uma série de sintomas físicos e mentais, tais como: 

  • Cansaço e falta de energia constante;
  • Insônia ou hipersônia;
  • Alteração no ritmo cardíaco;
  • Mialgias e fadiga muscular que parece jamais recuperar;
  • Baixo apetite sexual e queda no desempenho na cama;
  • Irritabilidade; 
  • Sintomas de ansiedade e/ou depressão;

Tratamento da vigorexia

O tratamento da dismorfia muscular é multidisciplinar, envolvendo psicólogos, psiquiatras, nutricionistas e possivelmente até mesmo um professor ou preparador físico. A pessoa não precisa abandonar a prática esportiva, mas sim criar uma relação mais saudável com ela. 

Dependendo do tipo de substâncias que o paciente consumiu na busca pelo “corpo perfeito”, ele pode ter que cuidar também de outras funções do corpo prejudicadas. É o caso dos rins, por exemplo, já que o uso de alguns anabolizantes causa insuficiência renal crônica e pode levar à necessidade de hemodiálise.

Ainda pode haver a necessidade de reabilitação, já que certos tipos de substâncias consumidas podem causar vício, como as injeções de testosterona. 

O grande empecilho para o início do tratamento da vigorexia, porém, é a dificuldade da pessoa que sofre do transtorno admitir o problema. Isso além, é claro, da falta de critérios diagnósticos universalizados pelo CID.

A prática de exercícios físicos é saudável e necessária. Mas até isso tem limites. 

Boa noite e bom treino.

Compartilhar artigo

Leia também

Arrow
Arrow
Faça parte da comunidade Persono
Enviaremos somente conteúdos relevantes para contribuir com a qualidade do seu sono e não encher a sua caixa de email