Como o sono afeta a saúde sexual masculina e pode causar impotência

13 de abril, 2022

Como o sono afeta a saúde sexual masculina e pode causar impotência

Especialistas em sono frequentemente recomendam que, para não prejudicar o sono, você deve utilizar a cama apenas para dormir e para a prática sexual. Isso educa o cérebro e não permite que ele associe o colchão ao estresse do trabalho ou estudo, por exemplo. Essa limitação de espaço fica ainda mais importante quando entendemos os efeitos do sono na saúde sexual, neste caso específico na saúde sexual masculina. 

De forma bem simples, a dica mais importante é essa: homens que não dormem bem dificilmente terão uma vida sexual satisfatória. Não somos nós que estamos dizendo, mas a ciência.

Dormir mal diminui o nível de testosterona

Não são poucas as evidências que mostram como dificuldades para manter um sono de qualidade podem diminuir os níveis de testosterona, considerado o principal hormônio masculino.

Um estudo da Universidade de Chicago, por exemplo, mostrou que depois de uma noite mal dormida a medição de testosterona é, de fato, menor do que após uma noite de sono bom.

A testosterona é um hormônio cuja produção costuma aumentar com o início do sono e ir crescendo com o passar das horas, com seu pico no começo da manhã. É por isso que sofrer de insônia, com dificuldades para dormir ou permanecer dormindo, derruba a quantidade hormonal. Isso ocorre principalmente se essa dificuldade para dormir for na segunda metade da noite.

É importante lembrar que a testosterona não apenas está relacionada com o desenvolvimento de tecidos reprodutivos masculinos e na produção de espermatozóides, como também com o aumento de massa muscular, crescimento de pelos e bem-estar. Produzir menos testosterona do que o necessário pode afetar a saúde em geral do homem, não apenas a sexual.

O Persono é o primeiro travesseiro com tecnologia de monitoramento de sono embutida nas camadas internas

Apneia do sono aumenta o risco de disfunção erétil

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, cerca de 50% dos homens brasileiros acima dos 40 anos têm queixas sobre problemas de ereção. Em muitos destes casos, o culpado pode ser o sono ruim. 

Diversas investigações já mostraram a relação que existe entre a presença de apneia do sono e a aparição da disfunção erétil. Em um estudo de 2009, por exemplo, quase 70% dos homens investigados que tinham um diagnóstico de AOS também apresentavam impotência sexual de algum grau

Em outro, de 2016, foram encontrados sinais de disfunção erétil em 63% dos participantes com apneia do sono. Como comparação, apenas 47% dos homens sem apneia tinham a disfunção. 

O mecanismo preciso que leva a essa interação entre a AOS e as dificuldades de atingir uma ereção permanece sem ser totalmente esclarecido, mas teorias incluem efeitos das alterações dos níveis de testosterona, neuropatias periféricas devido à hipóxia (diminuição dos níveis de oxigênio no sangue ou disfunções vasculares.  

Tratamento com CPAP não resolve o problema

Essa associação entre a apneia do sono e a disfunção erétil fez muita gente questionar se o tratamento mais conhecido da AOS, o CPAP, poderia resolver o problema desses pacientes e melhorar a saúde sexual masculina. A resposta é não. Pelo menos não de todo. 

Um estudo que contou até mesmo com um CPAP “placebo”, mostrou que o uso do equipamento aumentou as ereções de sono, a dureza arterial e a satisfação sexual, mas não houve mudanças da função erétil. O uso aderente, porém, mostra sinais positivos. 

CPAP, ou Continuous Positive Airway Pressure (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) é um aparelho que gera uma pressão de ar contínua diretamente nas vias áreas de uma pessoa enquanto ela dorme. Isso evita os episódios de interrupção de fluxo de oxigênio e “engasgadas” comuns desse distúrbio do sono

Dormir pouco causa diminuição do tamanho dos testículos

Como se não bastasse os efeitos negativos na testosterona, nos riscos para disfunção erétil e todos os outros efeitos na saúde sexual masculina, a falta de sono ainda pode diminuir o tamanho dos testículos. 

De acordo com o neurocientista e especialista em sono Matthew Walker, “homens que dormem cinco horas por noite têm testículos menores do que aqueles que dormem sete horas ou mais“.

A frase de impacto de Walker, dita em um Ted Talk e que viralizou no mundo todo, vai de acordo com outras descobertas científicas. 

Uma publicação de 2018 no Journal of Clinical Sleep Medicine, por exemplo, concluiu que “existe uma relação positiva linear e uma relação possivelmente inversa em formato de UM entre a duração do sono e o volume testicular“. 

Fica explícito, então, que a saúde sexual masculina e também a sua saúde reprodutiva são altamente dependentes do sono. 

E tem mais um dado que prova isso: quanto pior é o sono, pior também é a qualidade do esperma. Homens com alto nível de distúrbios durante o sono podem ter concentração de esperma 29% menor do que aqueles que dormem mais tranquilamente. 

Sono e Câncer de Próstata

Ter distúrbios do sono é um fator preditivo para a aparição futura de câncer de próstata. 

Uma investigação em Taiwan, por exemplo, mostrou que a cada 10 mil pessoas, 9,6 tinham algum distúrbio do sono e foram diagnosticadas com câncer de próstata nos anos seguintes. Daqueles sem distúrbios, a taxa de diagnóstico caiu para 6,4 por 10 mil.

A apneia é um dos distúrbios com maior fator de risco para o câncer de próstata, com evidências apontando também para a insônia.

Por outro lado, homens que dormem bem têm 75% menos risco de chegar a estágios  avançados de câncer de próstata graças às maiores taxas de presença de melatonina na urina que eles apresentam. 

+ Leia Mais: Entenda melhor a relação entre dormir mal e o câncer de próstata

A conclusão não poderia ser outra: vá dormir. Preferencialmente: vá dormir bem. E se não estiver dormindo bem, vá ver um médico.

Boa noite!

Compartilhar artigo

Leia também

Faça parte da comunidade Persono
Enviaremos somente conteúdos relevantes para contribuir com a qualidade do seu sono e não encher a sua caixa de email