O que é a Síndrome do Comer Noturno e como tratá-la

03 de março, 2021

O que é a Síndrome do Comer Noturno e como tratá-la

Sabe aquela fominha que aparece à noite, mesmo que você tenha jantado bem? Ela é até normal, desde que seja controlável, esporádica e não obsessiva. Mas quando a “fominha” vira uma “fome de gigante”, uma necessidade obrigatória para que o sono venha, pode ser sinal da Síndrome do Comer Noturno ou Síndrome Alimentar Noturna. 

Conheça mais sobre ela abaixo.

O que é a Síndrome do Comer Noturno? 

A Síndrome do Comer Noturno, ou Nocturnal Eating Syndrome (NES), foi identificada pela primeira vez nos Anos 50. Ela acontece quando uma pessoa tem necessidade incontrolável de comer no período da noite e pode chegar a ser fisicamente incapaz de dormir ou voltar a dormir até que ela se alimente. 

A NES se caracteriza por um atraso no padrão alimentar devido a alterações neuroendócrinas que geram um caos no ritmo circadiano da alimentação. 

“A pessoa fica com mais fome à noite porque seus hormônios relacionados a ela aumentam neste período. Dessa forma, ao comer durante a noite, isso ajuda o indivíduo com o transtorno a se sentir mais calmo (…) e a sentir sono o suficiente para tentar adormecer”, explica a Doutora em Ciências da Saúde Paola Machado.

Para que alguém seja diagnosticado com NES, esses episódios devem acontecer em total estado de consciência, diferenciando-se assim de casos de sonambulismo ou outros transtornos alimentares noturnos.

Outra diferença está na necessidade. Enquanto o sonâmbulo come sem motivo aparente, quem tem a Síndrome do Comer Noturno realmente precisa ingerir algo para cair no sono ou então possivelmente passará a noite em claro.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da Síndrome do Comer Noturno é feito de maneira clínica e se baseia na presença de uma série de sintomas próprios. 

O mais importante deles é a hiperfagia noturna, caracterizada pela ingestão elevada do total da alimentação no período da noite, podendo chegar a até 50% de tudo que é consumido ao longo do dia. A pessoa pode ou não despertar no meio da madrugada para comer. Neste caso, para ser considerado hiperfagia noturna, os episódios devem acontecer ao menos duas vezes por semana.

O paciente também precisa apresentar três dos seguintes comportamentos padrão para que o médico faça o diagnóstico de Síndrome do Comer Noturno:

Anorexia Matinal

Ausência de apetite pelas manhã, sem vontade de se alimentar ou fome desde o café da manhã até a hora do almoço. Episódios devem acontecer pelo menos quatro vezes durante a semana.

Insônia

Tanto a dificuldade para dormir quanto a dificuldade em permanecer assim são considerados comportamentos característicos da NES.

Necessidade de alimentação noturna

Mais do que uma fome ocasional no meio da madrugada ou entre o jantar e o sono, a pessoa com Síndrome do Comer Noturno tem um desejo quase obsessivo de ingerir algum alimento durante esses períodos. Em muitos casos, ela não é capaz de dormir se não comer.

Aumento do peso

Durante a noite ou madrugada, as escolhas alimentares não são as mais saudáveis. Assim, essa refeição “extra” pode aumentar vertiginosamente a ingestão de calorias, já mais elevada em pessoas com padrões alimentares noturnos e dificuldade para dormir. 

O sobrepeso e a obesidade observados em pessoas com NES derivam dessa ingestão noturna de alimentos. 

Piora no humor durante a noite

Sintomas de tristeza e crises de ansiedade vão crescendo durante o dia e são mais intensos durante a noite. Isso cria uma bola de neve que faz aumentar a agitação, irritabilidade e características de depressão da pessoa, atrapalhando o sono.

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Tratamento da Síndrome do Comer Noturno

Em seu site, a Pneumologista e especialista em Medicina do Sono Dra. Ana Carla Campelo Duarte explica que a Síndrome do Comer Noturno “não é um problema relativo ao sono e sim à questões nutricionais”, mas que os despertares constantes acabam atrapalhando o relógio biológico dos pacientes. 

Por esse motivo, a estratégia de ataque deve olhar para os dois lados, tanto a alimentação quanto a qualidade do sono. Por isso, o médico pode, por exemplo, solicitar uma polissonografia para monitorizar o cérebro durante uma noite.

Alguns dos tratamentos recomendados visam a redução do estresse e da ansiedade, como terapia, e atividades que relaxem, como diminuição no consumo de cafeína e álcool. 

Em determinados casos, medicações podem auxiliar no processo, mas remédios para dormir são pouco recomendados, uma vez que podem causar confusão e falta de coordenação motora. Isso aumenta o risco de acidentes domésticos quando o paciente levanta-se da cama para comer de madrugada.

Acha que você pode ter a Síndrome do Comer Noturno? Faça o teste abaixo, adaptado do site da Pneumologista Dra. Ana Carla Campelo Duarte.

Teste Síndrome do Comer Noturno

Como sempre ressaltamos aqui no Insights, do Persono, busque um médico para o seu diagnóstico e determinação do tratamento. Somente um profissional pode determinar os caminhos a serem tomados com o seu caso.

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