Languishing (Ou o estado de espírito blah que você sente às vezes)

06 de maio, 2022

Languishing (Ou o estado de espírito blah que você sente às vezes)

Como você está se sentindo agora? É bem possível que você tenha instintivamente respondido “bem”, mesmo quando você não está bem de verdade. E não estar bem não significa estar mal. Existe um meio termo e ele não é o mais ou menos, é o languishing. 

A palavra languishing não é nova. De fato, ela surgiu em meados do século XIV, derivada do verbo to languish, que significa “ser ou estar debilitado, fraco”. Só que mais recentemente ela ganhou um novo significado tão comum que você possivelmente já esteve ou conhece alguém que esteve languishing. Quer ver só?

O que é Languishing?

Em sua definição mais recente, languishing é aquele sentimento de apatia persistente em relação a tudo, quando uma pessoa está se sentindo “blah” em relação ao que está ao seu redor. 

No Brasil, o termo cuja tradução literal é “languidecer” tem sido encontrado traduzido como “abatimento”, “apagamento”, mas ele é mais do que isso. Estar languishing é se sentir no meio do caminho, quando não se está bem, mas tampouco se é capaz de explicar isso. Não está bem, mas tampouco está terrivelmente mal. É estar “meh”. 

Quem primeiro deu esse novo significado à palavra foi o sociólogo e psicólogo americano Corey Keys, em 2002, explicando que ela significava “a ausência de se sentir bem sobre a própria vida“.

Keys explica que a saúde mental pode ser entendida como um espectro que vai da depressão ao flourishing (florescer, em tradução livre). Esse florescer seria o ápice do bem-estar e da plenitude, com grande senso de propósito, maestria e importância para os demais. Já a depressão é o vale mais baixo do mal-estar, quando a pessoa se sente desesperançada, exausta e inútil. 

Nesse sentido, o languishing é o “filho do meio” negligenciado da saúde mental; o vazio entre a depressão e o florescer, com a ausência de bem-estar. 

As pessoas estão mais languishing do que nunca

Se o termo languishing como conhecemos hoje surgiu no início do século XXI, a verdade é que ele começou a ganhar tração pública ainda mais recentemente. Especificamente em 2021. 

A culpa, como era de se esperar, é da pandemia de Covid-19. Quando já estávamos há mais de 12 meses de isolamento social, em abril de 2021, o autor e psicólogo Adam Grant publicou no The New York Times um artigo no qual chamava o languishing de “emoção dominante” do ano.

“Languishing é um sentimento de estagnação e vazio. Você sente como se só estivesse sobrevivendo, vendo a sua vida passar por uma janela embaçada”, explicava Grant no artigo. “Você não está funcionando em capacidade total. Languishing opaca a sua motivação, atrapalha a sua capacidade de foco e triplica a suas chances de não performar bem no trabalho.”

Não é surpresa que isso tenha crescido nos últimos anos. Afinal, difícil era estar bem e com boas perspectivas

Veja o caso da Noruega, por exemplo, considerado o oitavo país mais feliz do mundo. Um estudo com mais de 8000 pessoas feito por lá mostrou que entre antes do começo da pandemia e dezembro de 2020, o número de pessoas languishing cresceu 43% por lá.

Ao mesmo tempo, o número de pessoas florescendo caiu 40%. 

A conclusão dos pesquisadores foi taxativa: “este estudo mostrou níveis mais baixos de qualidade de vida depois do começo da pandemia. (…) as nossas descobertas reforçam a importância de capital financeiro, de saúde e social para as pessoas terem mais qualidade de vida“.

Dar nome àquilo que se sente é importante

Talvez um dos maiores perigos do languishing seja o seu relativo desconhecimento se comparado a outras questões de saúde emocional. Como o próprio nome diz, “estar languishing” não é um distúrbio de saúde mental, mas um estado, diferente da ansiedade, da depressão ou da bipolaridade.

Isso não faz dele menos importante e saber dar nome àquilo que se sente é parte fundamental do processo de melhora. Os próprios psicólogos enxergam isso como uma das melhores estratégias para a “mudança” de chave.

Abaixo, algumas das formas nas quais o languishing se manifesta, o que vai ajudar você a prestar atenção à sua própria rotina. As frases foram retiradas de um artigo da Harvard Business Review. 

  • “Eu preferia fazer outra coisa, só não sei o quê.”
  • “Estou confortável, mas o trabalho não me empolga.”
  • “Não é amor e nem ódio. Eu estou grato por ter um trabalho, mas…”
  • “Eu quero ver as coisas mudando, mas nada realmente acontece. Por que eu não consigo ir além do que já faço quando eu sei que quero mais?”
  • “Eu sei que outras pessoas estariam felizes no meu lugar e eu não sei explicar porque eu não estou.”

Se você já disse alguma dessas frases ou alguma variante, você provavelmente estava passando por um momento de estar languishing, apático, meh. 

Algumas estratégias para superar a apatia do languishing

Como com qualquer outra questão que envolve a saúde emocional, ajuda profissional é o melhor caminho, porém a dificuldade de se reconhecer o languishing como um problema acaba sendo um obstáculo.

Mesmo quando estiver em dúvida se você ou alguém próximo está apático ou longo prazo ou apenas tendo um dia ruim, algumas estratégias podem ajudar:

  • Limites são tudo na vida. A melhor maneira de se superar uma fase languishing é refletir e planejar, mas isso pode parecer difícil quando a apatia bate fortemente. Essa é a razão pela qual estabelecer limites é tão importante, já que eles nos ajudam a nos distanciar das coisas. Quer um exemplo: o simples fato de desativar as notificações do grupo de WhatsApp do trabalho depois do fim da jornada e nos fins de semana criam uma separação importante que ajudam a ter novas perspectivas.
  • Reflexão para entender o que te preenche. Muitas vezes já sabemos qual é a resposta, ou pelo menos uma parte dela. Saber o que é sucesso para uma pessoa é meio caminho andado quando se parte ao seu encontro.
  • Antes de voar, você precisa engatinhar. Ninguém nasce sabendo andar, assim como alcançar metas não acontece de uma hora para a outra. Ao invés de focar nos grandes objetivos, desfrute do caminho e aproveite cada pequena vitória como se fosse a maior de todas. Você irá tomar gosto pela vitória, mesmo que ela seja pequena, como dizer “não” para não se sobrecarregar.

Cuidar da saúde mental é cuidar da saúde. Ponto final. Comemore sempre, mude sempre que necessário. E busque ajuda.

Boa noite!

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