Fibromialgia e o sono

12 de maio, 2021

Fibromialgia e o sono

Uma doença que atinge 150 milhões de pessoas no mundo todo, cerca de 4 milhões deles no Brasil, mas da qual apenas 2,5% dos casos são devidamente diagnosticados e tratados. Uma doença que afeta a qualidade de vida e o sono de majoritariamente mulheres, de 80 a 90%. 12 de maio é o Dia Mundial da Fibromialgia e ela hoje ganha espaço aqui no Blog do Persono.

A fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica, que dura mais de 3 meses, explica a Dra. Lorenza Silvério, reumatologista. “Essa dor crônica pode acometer qualquer local do corpo e dar diversos tipos de dores: do peso à pontada, da queimação ao frio. Costumo dizer que do dedão do pé até o couro cabeludo, qualquer local pode ficar dolorido”. 

A patogenia (ou “origem”) dessa síndrome da dor ainda não está clara, mas o processamento da dor fora dos padrões da normalidade é apontado como fator dominante. A dor é um processo de defesa do corpo contra danos, é a maneira que o nosso sistema encontra para nos avisar de que algo não vai bem. Pessoas com fibromialgia sentem esse “alerta” de maneira diferente.

Além da dor, outras características da doença também são a fadiga, o sono não restaurador e alterações no cognitivo, como dificuldades de memória e concentração.

Outro ponto comum nos pacientes diagnosticados é o histórico de depressão, presente entre 62% e 86% dos casos, não necessariamente simultaneamente ao momento em que a doença se manifesta.  

Claro que esses sintomas podem representar outras doenças ou condições, mas a persistência da dor pede que a fibromialgia seja considerada.

O diagnóstico da fibromialgia

Uma das dificuldades no diagnóstico da fibromialgia é a ausência de um exame que indique a presença (ou não) da doença crônica. Ele não existe.

“O diagnóstico é completamente clínico”, explica a Dra. Silvério, que alerta. “No entanto, pode ser necessário solicitar alguns exames para que possamos excluir outras condições que podem estar associadas e que podem inclusive ajudar a manter o mau controle da fibro“. 

Para ser feito o diagnóstico da fibromialgia, alguns requisitos são analisados:

  • Dor contínua, por pelo o menos 3 meses consecutivos;
  • Fadiga;
  • Sensação de acordar “já cansado”, não importa o quanto se durma;
  • Episódios de dificuldades mentais, como pouca concentração ou esquecimentos.

Outros sintomas que também podem afetar a fibromialgia e ser discutidos, como ansiedade, depressão, coceiras, náuseas e mudanças no paladar, entre outros.

Como a fibromialgia afeta o sono

A relação entre a fibromialgia e o sono é bilateral e funciona como uma bola de neve: um afeta o outro, que volta a afetar o seguinte, que afeta o anterior. Por esse motivo cortar essa cadeia negativa é uma parte tão importante do tratamento. 

Em cada paciente, isso é atacado de maneira diferente, como conta a Dra. Silvério. “É primordial escolher o aspecto mais evidente (o que mais tem atrapalhado) e a partir dele entrar nesse círculo a fim de parar essa engrenagem. Feito isso, as coisas começam a finalmente se ajeitar“. 

O sono profundo, também chamado de não-REM N3, é o mais afetado nos pacientes com fibromialgia, por isso uma queixa comum é a de sono não restaurador. A sensação é de acordar sem sequer ter dormido, por mais tempo que tenham passado na cama. É como se o sono não tivesse servido para nada.

Vale lembrar que é durante o sono profundo que acontecem a restauração muscular e cerebral, o descanso e relaxamento real do corpo e da mente e a reparação e reconstrução de tecidos, ossos e músculos. Por isso os pacientes não se sentem descansados. 

Outras queixas são a dificuldade de se “pegar” no sono e os despertares frequentes de madrugada, sem conseguir voltar a dormir. É a insônia se fazendo presente.

Não é à toa que a higiene do sono é parte fundamental do tratamento em casos de fibromialgia. 

Síndrome das pernas inquietas 

Além da insônia, outro distúrbio do sono frequentemente aparece em pacientes diagnosticados: a síndrome das pernas inquietas. Ela é 10 vezes mais comum em pessoas com fibromialgia e está presente em aproximadamente 50% dos casos.

A SPI tem como principal característica a vontade incontrolável de mexer as pernas, o que acaba acontecendo de modo involuntário. Em alguns casos, ela pode se estender também para os braços. 

Essa movimentação acaba sendo uma maneira inconsciente de aliviar o desconforto muscular. Banhos mornos, massagens ou a aplicação de compressas frias podem minimizar a inquietação e melhorar a qualidade de vida e os sintomas da pessoa com fibromialgia.

Dicas para dormir melhor com fibromialgia

Aqui vão algumas dicas para dormir melhor especiais para os pacientes com fibromialgia.

  • Crie e mantenha a sua rotina de higiene do sono. Já falamos dela por aqui, mas nunca é demais repetir. Ter uma rotina de sono ajuda o cérebro a associar certos momentos e ações à hora de dormir, diminuindo a inquietude que o momento possa proporcionar. Dica: faça as mudanças pouco a pouco na sua rotina. Mudar tudo de uma vez vai ser muito mais difícil. 
  • Faça a cama ao acordar. É sério. Uma pesquisa apontou que a cama arrumada aumenta em quase 20% as chances de uma boa noite de sono. 
  • Relaxe e planeje. Se você é do tipo que demora pra dormir preocupado com as atividades do dia seguinte, antes de ir para a cama sente-se e escreva tudo o que terá que fazer. Essa é uma maneira efetiva de “tirar” da cabeça os problemas. 
  • Terapia cognitiva. Como a ansiedade e a depressão aparecem frequentemente em pacientes com fibromialgia, a terapia é parte essencial do tratamento.
  • Crie um oásis do sono. Sempre que possível, use o quarto somente para dormir. Trabalhar ali, por exemplo, pode atrapalhar a sua noite, mesmo que você não perceba.

Para mais dicas para dormir melhor, acesse o post abaixo.

+ Leia Mais: 22 dicas para dormir melhor

Se depois de ler esse post você se sentiu identificado, procure o seu médico de confiança ou diretamente um reumatologista para discutir sobre a fibromialgia. Somente um profissional de saúde devidamente habilitado pode fazer o diagnóstico. 

A equipe do Persono agradece à reumatologista Dra. Lorenza Silvério pela colaboração na produção deste conteúdo.

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