Tendências do sono para o futuro

04 de maio, 2021

Tendências do sono para o futuro

Dormir é algo tão instintivo que nem precisamos pensar em fazer. Deixamos essa preocupação para os nossos olhos, que funcionam como gatilho para a produção de melatonina e, em consequência, do início da noite. Então por que falar em tendências do sono?

A resposta, na verdade, é bem mais simples do que possa parecer: porque o sono nem sempre foi igual. Ao longo da história, nossos padrões noturnos foram mudando consideravelmente. 

Por exemplo, na Renascença o sono bifásico era a norma e isso só mudou na Revolução Industrial, quando as pessoas simplesmente não tinham mais tempo para dormir em dois turnos. Os ritmos de trabalho exaustivos passaram a limitar o tempo na cama.

+ Leia Mais: Uma história do sono. Literalmente.

Assim como em outros aspectos da sociedade, essa é a era das comunicações, do digital e da tecnologia que, pouco a pouco, começam a ganhar espaço também na hora de dormir. 

Por isso o Persono decidiu compartilhar a nossa visão de futuro do sono, para você ficar, desde já, sabendo como irá para a cama em breve. 

11 tendências do sono para o futuro da hora de dormir

A lista foi elaborada em parceria com Luiz Aloysio Rangel, Diretor de Design e Human Experience na Coteminas. 

As tendências do sono estão separadas em categorias, assim você pode ir direto naqueles temas que mais te interessam. 

Rotina e Trabalho

1. Pessoas darão mais importância à sua qualidade do sono 

Não podemos apresentar uma lista sobre as tendências do sono sem falar no protagonismo que ele já está começando a assumir na rotina das pessoas.

Nos últimos cinco anos as buscas por “sono” no Google Brasil subiram quase 68%. Os dados são do Google Trends, plataforma do próprio Google que permite uma análise de tendências para termos específicos no buscador. 

Tendências do Google sobre o sono

Já as buscas pela expressão “dormir melhor” cresceram 200% no mesmo período, de maio de 2006 para o final de abril de 2021.

Tendências do Google sobre dormir melhor

Não é à toa que o sono é o primeiro termo a aparecer no Google Year In Search de 2020, um vídeo lançado todos os anos que repassa os principais acontecimentos do ano sob a perspectiva de como as pessoas buscaram por eles nos principais produtos da gigante de tecnologia. 

Como sociedade, estamos cada vez mais conscientes da importância do dormir bem como pilar fundamental de uma vida saudável e dos impactos diretos que isso tem na nossa saúde física e saúde mental

É o momentum para mudar nossos hábitos e rotinas para favorecer o sono. 

Mais do que “apenas” uma das tendências do sono, isso já é uma realidade e o principal motor de todas as mudanças que já começamos a ver.

2. Aumento na procura por produtos e serviços que ajudam a dormir melhor 

Se estamos cada vez mais conscientes da relevância de dormir na nossa rotina de saúde, a seguinte tendência é buscar maneiras de melhorar. Não é à toa que uma pesquisa rápida sobre aplicativos relacionados ao sono apresenta centenas e centenas de resultados na Google Play Store. 

E esse é apenas o começo. Já existem colchões inteligentes, roupas de cama com peso que ajudam pessoas com insônia a dormir e uma infinidade de serviços voltados para o sono de qualidade, como os smartwatches (vamos falar mais deles depois) e os sleep trackers. Isso inclui até mesmo hotéis e serviços criados especialmente para que as pessoas tirem um cochilo no meio da jornada de trabalho. 

3. Empresas usarão sono como indicador de qualidade de employee experience

Você já ouviu falar em sala de descompressão? Esse é o termo usado para designar os espaços criados especialmente para os funcionários descansarem e relaxarem, o que inclui um cochilo depois do almoço ou mesmo na hora do expediente. 

As empresas que já cuidam da saúde física e mental de seus times para além das obrigações legais vão colocar ainda mais o sono em evidência e usá-lo como indicador do employee experience, a experiência do colaborador. É do seu próprio interesse.

Um funcionário que dorme mal tem quedas de produtividade, perde sua capacidade de tomar decisões importantes e apresenta taxas maiores de absenteísmo. Cuidar do sono de um time é cuidar da saúde da empresa. 

4. Empresas terão flexibilidade de horários para favorecer os cronotipos de cada colaborador

É uma questão de natureza: algumas pessoas simplesmente não “funcionam” pela manhã (ou pela noite) e acabam tendo que lutar contra o cronotipo para se encaixar nos horários de trabalho padronizados da sociedade, o famoso 9-to-5

Uma das consequências disso é o risco à segurança. Funcionários com sono têm 70% mais chances de sofrerem acidentes de trabalho.

No último ano aprendemos a conviver com um trabalho mais flexível, então o que nos impede de flexibilizar também os horários senão as convenções sociais? As empresas só têm a ganhar ao permitir que as pessoas trabalhem em seus horários de maior produtividade. 

E vale sempre a lembrança: trabalhar muitas horas não é sinônimo de trabalhar melhor.

Saúde

5. O sono será um indicador articulado a outros dados de saúde e bem-estar

Ao lado de outros indicadores, como peso, altura e índice glicêmico, o sono ganha relevância como dado fundamental no acompanhamento da saúde das pessoas. Isso porque não existe vida saudável sem sono saudável. Já passou da hora de o sono deixar de ser “uma tarefa” e passar a receber o destaque que merece como um dos pilares da saúde. 

Os dados do sono, aliás, são mais importantes do que o peso e o porquê disso é simples. Enquanto o valor numérico de massa corpórea isolado não revela muita coisa, algumas noites mal dormidas podem sim ser indicadoras de problemas de saúde.

Aproveite para conhecer abaixo alguns dos benefícios do sono para a saúde:

  • Menos riscos de AVC
  • Prevenção de diferentes tipos de câncer
  • Redução de inflamações
  • Melhor processamento das memórias positivas
  • Redução do risco de diabetes

6. Médicos acompanharão o sono dos pacientes como rotina preventiva

A pesquisa Acorda, Brasil!, desenvolvida a pedido do Persono, conduzida pela plataforma de human analytics da MindMiners e coordenada pela consultoria Unimark/Longo, detectou que dormir não aparece na anamnese de 58% das consultas médicas no Brasil.

Isso começará a mudar. Sobram evidências científicas de que o sono é sinal de alerta para uma infinidade de problemas de saúde. Ficar atento às alterações nos padrões de sono de um paciente pode antecipar e auxiliar em um diagnóstico mais preciso.

7. Surgimento de novas profissões e especializações dedicadas à saúde e qualidade de sono

Quantas pessoas você conhece que já visitaram um médico do sono? Quantas pessoas você conhece que já buscaram um profissional da saúde qualquer para falar sobre os problemas na hora de dormir?

Essa a gente responde: apenas 13,55% dos brasileiros já consultaram um médico para falar especificamente sobre sono. O dado também é da pesquisa Acorda, Brasil!

Agora vamos mudar a pergunta: quantas pessoas você conhece que frequentemente têm problemas para dormir? Muito mais do que isso, certamente.

A tendência é que, já que cada vez estamos mais preocupados com o sono, os médicos também busquem se especializar no assunto ou em distúrbios específicos. O site da Associação Brasileira do Sono tem informações sobre certificações do sono para profissionais da saúde.

Mas isso não é apenas para médicos. No futuro breve, surgirão profissionais como sleep coaches, personal trainers que se especializarão em sono para melhor acompanhar seus alunos e até mesmo os vendedores de colchão precisarão desse conhecimento para recomendar os seus produtos de acordo com o padrão de sono dos seus clientes.

Tecnologia

8. Automóveis medirão o sono do motorista como dispositivo de segurança

Desde 2017, as maiores fabricantes de automotores do mundo já falam no desenvolvimento de tecnologias de detecção de sonolência. Alguns dos seus modelos são capazes de detectar uma alteração no padrão de direção do motorista e alertá-lo sobre uma potencial falta de atenção ao tráfego causada pelo sono.

A ideia das empresas, porém, é ir além e instalar equipamentos capazes de detectar até mesmo a desaceleração dos batimentos cardíacos e o movimento dos olhos. Ambos são sinais de sonolência. O carro do futuro, com funções de piloto automático, poderia até mesmo estacionar sozinho até que o motorista recobre totalmente as suas funções cognitivas.

Enquanto isso não acontece, cabe a cada um de nós a responsabilidade de não nos aproximarmos do volante em caso de cansaço. Vale o alerta: no Brasil, 60% dos acidentes de carro estão diretamente ligados à falta de sono. 

9.  Pessoas usarão amplamente tecnologias para monitorar o sono 

A venda global de smartwatches, os relógios inteligentes que analisam a atividade física e o sono, cresce em velocidade acelerada. Em 2016, foram 2,49 bilhões de dólares vendidos. A previsão é que esse número chegue a 3,33 bi em 2022.

Hoje em dia não é necessário estar em um hospital para monitorar o sono e esse é um avanço e tanto da tecnologia.

10. Pessoas substituirão wearables por tecnologias menos invasivas em suas rotinas 

Os smartwatches já fazem parte da rotina de muita gente, mas a verdade é que dormir de relógio não é a coisa mais confortável do mundo. O mesmo vale para as “pulseiras de sono” ou os anéis de mesma função. 

Mas nem essa falta de conforto será mais problema a partir de mais uma das tendências do sono: o monitoramento sem contato ou frictionless. Os mesmos resultados sem o incômodo.

O que fazer com todas as informações às que temos acesso agora? Elas não são somente uma banalidade. É preciso transformá-las em ação e é para essa direção que a tecnologia aponta.

Por exemplo, se você anda dormindo mal, o seu tracker do futuro pode ajudar a detectar a causa para isso e apresentar soluções. “É o calor? Aqui vão algumas dicas para refrescar o seu quarto. Anda muito estressado? Dá só uma olhada nessas meditações guiadas”.

Em breve, você terá novidades do Persono sobre esse mesmo tema. 

11. Indicadores de sono e saúde serão monitorados remotamente 

Se você já tem seus dados de sono monitorados diariamente, porque não compartilhá-los com o seu médico ou treinador esportivo, por exemplo? 

O acompanhamento e análise diária dessas informações é capaz de dar ao profissional de saúde uma visão ampla do sono do seu paciente / aluno que um exame laboratorial não é capaz de entregar. Afinal, ninguém passa semanas dormindo em um hospital. 

É evidente que o uso dos smartwatches para controlar o sono não apresenta a mesma precisão e profundidade de resultados que uma polissonografia em ambiente controlado, mas eles são capazes de apresentar um outro ponto de vista sobre o sono. E essa é uma informação realmente importante.

Até porque os sleep trackers tem provado sua acuracidade com validação de médicos.

Nunca é demais repetir o mantra: a saúde depende do sono. Eles não caminham por calçadas separadas.

Mas para que passemos todos a ter “dormir bem” no alto da nossa lista de prioridades ao lado de uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos, é preciso uma espécie de pacto social no qual estejamos todos envolvidos. 

As pessoas precisam ter consciência disso, os médicos precisam falar mais sobre o sono, as empresas precisam entender o valor de ter um time que dorme bem, a sociedade precisa se voltar para essa prioridade. É uma questão de saúde pública.

No mundo todo existe uma infinidade de campanhas e ações voltadas para a vida saudável, tema central na Casa Branca dos Obama, por exemplo. Mas quem está falando de sono? São poucas vozes, mas que em breve serão muitas.

Esse é o motivo da existência do Persono: promover a saúde por meio do sono. Contamos com você, a ciência e a tecnologia para isso. Boa noite.

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