Sobre o sono e o desempenho dos atletas paralímpicos

24 de agosto, 2021

Sobre o sono e o desempenho dos atletas paralímpicos

Saudades de Tóquio 2020? Então pode comemorar que as competições ainda não acabaram. Bem, na verdade os Jogos Olímpicos sim, mas hoje (24) começam os Jogos Paralímpicos. O Time Brasil tem chances reais de ficar no Top 10 do quadro de medalhas.

Assim como os atletas profissionais olímpicos, os paralímpicos também passam por rotinas de treino exaustivas e acompanhamento de todo um time por trás: treinadores, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, nutrólogos, comissão técnica, preparadores físicos, personal trainers… Toda uma equipe por detrás para levá-los ao lugar mais alto do pódio.

Mas como fica o sono desses atletas, muito mais levando em consideração que esse ano as competições acontecem no Japão. O país tem um fuso horário de 12 horas em relação ao Brasil?

Ao contrário do que acontece com os atletas olímpicos, não existem tantos estudos sobre o sono dos paralímpicos e o impacto dele em seus treinamentos e desempenho atlético. Mas fomos atrás do que diz a ciência sobre isso.

A importância do sono no desempenho dos esportistas

Como qualquer pessoa, os atletas confiam no sono para regeneração física e saúde mental. No caso deles, dormir bem é ainda mais importante do que para os demais, já que precisam levar seus corpos ao limite do estresse.

Estressar o seu organismo quando se está mais suscetível a mudanças de humor repentinas, fadigado e com alteração na síntese de proteínas e carboidratos é ainda mais difícil.

Por outro lado, uma boa noite de sono tem efeitos diretos no desempenho esportivo de um atleta de alto rendimento. Dormir bem impacta na precisão e pontaria, previne e acelera a recuperação de lesões, aumenta a velocidade de tiro e a resistência e ainda diminui o tempo de reação e a percepção de dor.

Em competições do nível dos Jogos Paralímpicos, uma única noite pode fazer toda a diferença entre subir ao pódio e ficar sem medalha. 

O sono dos atletas paralímpicos

Os primeiros atletas brasileiros chegaram ao Japão logo após o fim dos Jogos Olímpicos para uma aclimatação na base de treinamentos na cidade de Hamamatsu. Logo na chegada já falavam sobre as dificuldades de adaptação ao novo fuso horário.

A ida tão cedo ao Japão foi exatamente para isso: para que o Time Brasil supere esse cansaço e problemas do sono antes dos inícios da competição. Afinal, estão todos trabalhando para atingir uma marca histórica: 100 medalhas de ouro paralímpicas. Faltam apenas 13!

Se criar um plano de sono padrão para os atletas já é muito difícil, afinal as pessoas têm cronotipos e necessidades fisiológicas diferentes, no caso dos paralímpicos existe um fator extra: as diferentes deficiências exigem diferentes cuidados. Portanto, um plano individualizado de sono é essencial para o sucesso.

Demografia do sono paralímpico

Uma pesquisa do Comitê Paralímpico Israelense publicada no site do Comitê Paralímpico Internacional tinha como objetivo a busca da conscientização dos atletas sobre a importância de dormir bem. Abaixo, você confere alguns dos dados descobertos:

  • Quase 27% dos atletas dormiram seis horas ou menos por noite nos últimos seis meses;
  • 61,5% dos esportistas paralímpicos são de cronotipo intermediário;
  • 32,6% reportam sofrer algum grau de sonolência diurna excessiva e foram a um profissional.

Dentre os atletas que dormem mal, outros dois dados chamam a atenção: eles têm alta latência do sono e uma eficiência do sono significativamente mais baixa. Os dois são marcos claros de noites ruins. 

Uma pesquisa similar foi feita em 2015 pelo Comitê Paralímpico Brasileiro em parceria com universidades nacionais. Os dados são ainda mais alarmantes: 65,3% dos paratletas brasileiros relataram dormir mal. Além disso, mais da metade deles gostariam de fazer mudanças em seu horário de sono e de dormir mais. 

Distúrbios do sono dos esportistas paralímpicos

Os atletas paralímpicos têm mais chances de ter distúrbios do sono graças às suas condições médicas.

Aqueles com lesão na medula e amputação têm probabilidades ainda maiores de apresentar dificuldades para dormir. Enquanto isso, os com paralisia cerebral e deficiências intelectuais podem dormir mal, mas têm risco menor de desenvolver distúrbios do sono se comparados aos demais grupos.

Os atletas paralímpicos costumam dormir melhor que seus similares que não têm rotinas de treino similares. É o caso, por exemplo, dos distúrbios noturnos de respiração, já que os exercícios físicos têm potencial de aumentar a força e a resistência dos músculos respiratórios, melhorando a sua função pulmonar.

Estratégias de sono para atletas paralímpicos

Como mencionado anteriormente, não existe uma fórmula mágica que funcione para melhorar o sono de todos os esportistas. O que sim existe são estratégias para otimizar o sono e, assim, melhorar o desempenho na quadra, na água, no campo ou onde quer que seja.  

Essas estratégias podem ser divididas em três grandes grupos:

  • Extensão do sono – Uma necessidade relatada na mesma pesquisa brasileira mencionada acima. Os atletas gostariam de dormir mais e entendem os impactos disso em suas performances.
  • CochiloTirar uma soneca ajuda a aliviar os impactos negativos de dormir mal a noite, apesar de não substituir o sono noturno por não alcançar os estágios mais profundos do ciclo. Os efeitos de um cochilo antes de uma competição já são atestados pela ciência.
  • Higiene do Sono – O sono deve ser tratado como o próprio esporte: ele exige treinamento. E treinamento é feito de rotina e repetição. A higiene do sono nada mais é do que criar uma rotina orientada ao dormir bem e que permita que uma pessoa vá educando o seu próprio corpo sobre qual é a hora de dormir.

O Persono aproveita para desejar a todo o Comitê Paralímpico do Brasil e aos nossos atletas muito sucesso nos Jogos de Tóquio. E, claro, boas noites e bons sonhos com medalhas douradas.

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