Bullying causa insônia severa e aumenta depressão em adolescentes

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16 de março, 2022

Bullying causa insônia severa e aumenta depressão em adolescentes

Bullying causa insônia severa e aumenta depressão em adolescentes

“O bullying é uma forma agressiva de comportamento na qual uma pessoa intencional e repetidamente causa a outra desconforto ou lesões”, explica a Associação Americana de Psicologia. Essa é a forma mais simples e direta de explicar.

O Centro Nacional australiano contra o bullying vai além e explica que “o bullying é uma forma deliberada de mal uso do poder nas relações por meio de agressões verbais, físicas e/ou sociais com a intenção de causar males físicos, sociais ou psicológicos. Ele pode envolver um indivíduo ou um grupo mal usando o seu poder, real ou percebido, com uma ou mais pessoas que não se sentem capazes de parar este acontecimento.”

O bullying é um fenômeno social devastador na sociedade, que afeta em várias dimensões a vida de uma pessoa. Uma dessas dimensões é o sono, pilar fundamental na saúde do ser humano.  

Os dados alarmantes sobre o bullying no mundo

Tentar negar que o bullying é um problema global de proporções devastadoras que está no mesmo nível que defender que a Terra é plana ou que um remédio antiparasitário vai curar uma infecção viral em nível de pandemia. É simplesmente impossível e inaceitável. 

Os números estão aí para provar.

De acordo com uma pesquisa da Unicef, um em cada três jovens já foram vítimas de bullying online, o chamado cyber bullying. As ferramentas mais comuns para esse assédio são as redes sociais: Facebook, Instagram, Snapchat e Twitter. Na época da pesquisa o TikTok ainda não era um fenômeno como agora.

No caso do Brasil, 36% dos adolescentes já faltaram à escola depois de algum episódio de assédio virtual por parte dos colegas.  

Os dados sobre casos “presenciais”, também da Unicef, são bastante similares: 32% dos adolescentes sofreram bullying na escola no mínimo uma vez nos últimos 30 dias. 

O assédio no ambiente escolar afeta meninos e meninas em quantidades proporcionais, mas de maneiras diferentes: enquanto entre eles o assédio físico (violência) é o mais comum, entre elas é o assédio psicológico. 

As consequências disso podem mudar o rumo da vida do adolescente. Além de terem notas mais baixas, os jovens que sofrem bullying têm mais chances de abandonarem os estudos e não seguirem para o ensino superior (44,5% contra 34,8% contra aqueles que nunca sofreram assédio).

Como o bullying afeta o sono dos adolescentes

Deixando o adolescente sem ele. Essa é a resposta.

Adolescentes vítimas de bullying sofrem mais perda de sono moderada e severa do que aqueles que nunca passaram pelo assédio. Os que sofrem bullying três vezes por mês têm até duas vezes mais chances de não serem capazes de dormir. 

Se o número de assédios aumenta, também aumenta a perda de sono.

A conclusão é de um estudo global com quase 300 mil jovens de mais de 90 países feito pela Universidade de Queensland, na Austrália. De acordo com os pesquisadores, os dados são similares no mundo todo, independente de gênero.

Como não deve ser surpresa para ninguém, o estudo encontrou ainda um paralelo entre os adolescentes que perdem o sono e problemas de saúde mental, afinal os dois são intimamente ligados. Isso cria uma bola de neve: quanto mais sofre bullying, menos o adolescente dorme. Quanto menos ele dorme, mais suscetível ele fica ao bullying, que o afeta ainda mais. 

Aumento no risco de depressão

Essa não foi a primeira vez que a ciência investigou os efeitos do bullying no sono dos adolescentes. Uma pesquisa da Universidade de Buffalo de 2019 foi uma das pioneiras em estudar como o assédio virtual (cyber bullying) os afetava.

Quase um terço dos adolescentes tiveram sintomas de depressão. Isso além de alterar os padrões de sono, também acarreta em irritabilidade persistente, raiva e reclusão social. 

“Entender essas associações reforça a necessidade de educarmos os jovens para a higiene do sono e de intervimos quando eles mostram novos sinais e sintomas de depressão“, explica Misol Kwon, que liderou o estudo. 

Mais do que intervir quando o adolescente mostra final, precisamos intervir antes e educar para que o bullying não aconteça. Isso cabe a pais e educadores, que não podem mais se calar quando têm uma situação assim em seu círculo. 

Boa noite.

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