As descobertas mais recentes da ciência do sono

19 de julho, 2021

As descobertas mais recentes da ciência do sono

Ao longo da história da humanidade, a nossa maneira de dormir mudou radicalmente. Seja por aspectos culturais ou tecnológicos, ela passou por uma revolução como toda a sociedade. Isso também é resultado da ciência do sono. 

Há pouco menos de três séculos foi dito pela primeira vez que os organismos dos seres vivos funcionam em ciclos repetitivos e padronizados. Foram necessários outros 100 anos para que compreendêssemos o que é o ritmo circadiano e apenas na década de 50 as fases do sono foram bem identificadas. Ou seja, faz apenas 70 anos que entendemos o sono como ele é. 

Considerando que o homo sapiens tem aproximadamente 200 mil anos de existência, é como se nossa compreensão sobre o nosso descanso noturno tivesse acontecido ontem.

Todos esses números são para trazer uma perspectiva sobre o salto que a ciência do sono fez no último século. Cada vez sabemos mais sobre ele e as descobertas aparecem em velocidade vertiginosa. Por isso reunimos aqui neste post algumas das descobertas mais interessantes e relevantes da ciência do sono nos últimos tempos. E, acredite, você vai se surpreender.

5 descobertas recentes da ciência do sono

As descobertas e dados foram todos retirados de papers e estudos publicados. 

1. A hora de acordar tem grande influência no desempenho acadêmico

Muitos estudantes universitários dividem seu tempo entre os estudos e o trabalho ou algum estágio. Sobretudo nos períodos noturnos, que dão a esse grupo uma maior flexibilidade na busca de colocação no mercado. Só que isso, claro, acaba impactando o rendimento estudantil. 

Um estudo com quase 150 alunos de uma universidade no interior de São Paulo ratificou isso: alunos do período diurno têm um desempenho acadêmico melhor que os do noturno. O culpado é o sono, ou a falta dele.

Os estudantes que têm aulas à noite dormem mais tarde que aqueles que assistem às aulas pela manhã e consequentemente acordam mais tarde também. Os matutinos dormem melhor e ainda têm mais hábito de tirar cochilos, inviáveis para os noturnos graças a sua rotina de trabalho.

2. O método contraceptivo, e não apenas o ciclo menstrual, pode ter interação com o sono

O ciclo hormonal faz com que o sono das mulheres seja completamente diferente do sono dos homens. Como elas passam por flutuações de hormônios mais intensas e frequentes (basta ver o ciclo menstrual), acabam com a hora de dormir mais afetada. Não é à toa que uma mulher tem 40% mais chance de ser insone que um homem. 

Um estudo da Universidade de São Paulo e publicado na Sleep Science, revista científica  patrocinada pelo Persono, mostrou que o método contraceptivo também tem um peso na hora de dormir feminina. Os métodos hormonais, como a pílula anticoncepcional, são os que mais peso têm na hora de influenciar o sono. 

A eficiência do sono é maior nas mulheres que usam métodos que não envolvam hormônios, como o DIU de cobre e até mesmo a camisinha. 

Estudos anteriores tinham mostrado que os hormônios podiam melhorar certos padrões de sono nas pacientes e, por esse motivo, os próprios pesquisadores sugerem que o tema continue sendo estudado com o auxílio de polissonografias. 

3. Está com raiva? O seu problema é sono.

O sono e a saúde mental estão bastante ligados e disso a ciência do sono sempre soube. Dormir mal é especialmente prejudicial para a consolidação de memórias positivas e também para o bom humor.

Existe uma relação bem evidente entre a qualidade de sono e os níveis de raiva, o que pode desencadear desde dificuldades acadêmicas até problemas de saúde.

Estudantes com baixa qualidade de sono apresentam um risco mais elevado de obter pontuações mais elevadas em testes conceituados de níveis de raiva, como o AX-Index (Anger Expression Index) se comparados àqueles que dormiram bem. 

4. A relação entre a qualidade do sono e o aumento de peso na gravidez

O ganho de peso na gravidez se deve majoritariamente ao preparo do corpo para o crescimento do feto, com o aumento do volume de sangue e do útero, a formação de placenta e líquido amniótico e o acúmulo de gordura como reserva energética.

Nos últimos meses da gestação, é claro, também tem o peso do bebê que cresce em ritmo acelerado. 

Só que o sono também entra em jogo em toda essa complexa equação. Mulheres grávidas que dormem melhor ganham mais peso entre o segundo e terceiro trimestre, quando a gramatura do bebê passa a ser mais relevante. Já aquelas que dormem pior, ganham mais peso entre o primeiro e o segundo semestre, ou seja, sem relação com o filho. 

5. Soneca: é preciso ser um “cochilador profissional” para tirar proveito?

Sono bom é sinônimo de regular, mas essa máxima não é tão rigorosa quando estamos falando de um bom cochilo

Pessoas que tiram sonecas esporádicas têm tantos benefícios como aqueles que as têm em sua rotina regular (no mínimo, uma por semana). Testes em universidades holandesas e singapurenses mostraram que o cochilo é igual de bom para os dois grupos, ou seja, você não precisa colocar essa dormida extra na agenda para obter resultados.

A única diferença entre os “cochiladores profissionais” e os “amadores” aconteceu nos testes de memória topográfica de curta duração.

Vale lembrar que, para ser realmente benéfica e não uma dor de cabeça, a soneca deve durar entre 15 e 30 minutos. Mais do que isso, você pode entrar em sono profundo e acordar mais cansado do que foi dormir.

Para ficar por dentro dos últimos estudos da ciência do sono e aproveitar cada vez mais a sua hora de dormir, continue acompanhando o Persono.

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