Como saber se eu tenho um distúrbio do sono?

26 de maio, 2021

Como saber se eu tenho um distúrbio do sono?

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de dois em cada cinco brasileiros apresentam algum distúrbio do sono. Estima-se que este número tenha crescido ainda mais durante a pandemia do Covid-19. Não é à toa que as buscas na internet pela palavra insônia cresceram quase 60% em 2020.

O problema é que 95% das pessoas que têm algum distúrbio do sono não são corretamente diagnosticadas e tratadas. Nós “nos acostumamos a dormir mal”, mas não precisa e nem deveria ser assim.

Por isso discutir o sono com o seu médico de confiança. Mesmo que ele (ou ela) não aborde o tema, faça perguntas, fale sobre como você anda dormindo. 

Como é feito o diagnóstico de um distúrbio do sono

Somente um médico pode fazer o correto diagnóstico de um paciente com distúrbio do sono. É fato que existem diversos sinais que o corpo manda quando não se está dormindo bem (vamos falar deles daqui a pouco), mas somente o profissional da saúde é capaz de relacionar esses sinais com o histórico de uma pessoa e detectar se realmente existe um problema ou se é algo mais pontual.

O primeiro passo do diagnóstico é a anamnese e entrevista entre médico e paciente. É quando você vai poder falar sobre os seus sintomas e rotinas que, às vezes, nem percebia o quanto estavam afetando a sua vida. Dependendo do distúrbio, ele pode ser diagnosticado apenas clinicamente. Outros exigem exames mais aprofundados, como a polissonografia.

Critérios de Diagnóstico

A Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono, produzida pela Academia Americana de Medicina do Sono, tem um Critério de Diagnóstico que consiste em uma lista de seis itens desenvolvida para ajudar no entendimento dos sintomas e direcionamento das ações dos profissionais de saúde.

Os itens, ressalta o documento, devem sempre ser vistos de maneira interdependente e nunca como critérios mínimos de diagnóstico. “O julgamento do médico é o árbitro final sobre a presença, ou não, de um determinado distúrbio, mas os critérios de diagnóstico ajudam a decidir que informações adicionais e/ou exames são necessários para confirmar a tese”. 

Os itens são:

1. Principal reclamação ou forma de apresentação, considerando que alguns distúrbios podem ser assintomáticos ou perceptíveis apenas por outras pessoas que não o paciente.

2. Anormalidade patopsicológica implícita ao distúrbio em contraste com a reclamação subjetiva do paciente.

3. Características associadas que ajudam no diagnóstico, como o consumo de remédios que deem sono, tais como anti-histamínicos.

4. Documentação sobre o distúrbio do sono ou mostrando que nenhum outro distúrbio é o responsável pela reclamação primária.

5. Distúrbios médicos ou mentais que podem, ou não, estar presentes para que o diagnóstico seja feito.

6. Por fim, o distúrbio do sono em si, se está ou não presente para o diagnóstico ser feito. Exemplo: o diagnóstico de terror noturno pode ser feito se pesadelos coexistirem.

Sinais e sintomas mais comuns de um distúrbio do sono

Quando for conversar com o seu médico sobre o seu sono, ele irá fazer uma série de perguntas que vão ajudar a entender os sintomas e encontrar o diagnóstico correto

Abaixo, você vai encontrar uma lista com alguns dos sinais mais comumente relacionados a um distúrbio do sono. Lembre-se que se identificar com pelo menos um deles não é um diagnóstico positivo. Do mesmo jeito, não se enxergar em nenhum deles tampouco é um diagnóstico negativo. 

  • Dificuldades para cair no sono ou permanecer dormindo, acordando mais do que duas vezes durante a noite;
  • Frequentemente leva mais do que 30 minutos para dormir depois de ir para a cama
  • Sonolência diurna excessiva e frequente;
  • Dorme ou já dormiu em momentos ou situações inadequadas, como durante uma reunião ou dirigindo;
  • Seus horários de sono e produtividade parecem não estar adaptados à sua rotina e aos padrões sociais (Dica: faça o teste de cronotipo);
  • Queda de rendimento repentina no trabalho, estudos ou esportes;
  • Fadiga constante, mesmo quando consegue dormir uma quantidade razoável de horas (entre 6 e 9 horas);
  • Frequentemente dorme horas excessivas;
  • Precisa de cochilos frequentes e muito longos durante o dia;
  • Dificuldade de concentração e/ou funções cognitivas;
  • Ronco muito alto;
  • Respiração muito pesada e ruidosa; 
  • Episódios de arfadas / engasgadas;
  • Ao se deitar, sente uma necessidade incontrolável de mexer as pernas.

Mantendo um diário do sono

Em diferentes tipos de distúrbios do sono, o diagnóstico exige uma certa recorrência de episódios. É o caso, por exemplo, da insônia. Ter dificuldades para dormir uma única noite não significa que você seja insone, mas quando isso começa a se repetir muito, aí sim pode ser.

Por isso é importante manter um diário do sono, pois ele ajuda você e seu médico a encontrarem padrões irregulares determinantes para que um distúrbio do sono seja identificado. 

E não tem segredo na hora de montar o seu diário do sono. Basta ir anotando a hora que foi dormir, se demorou a cair no sono, quando acordou, despertares noturnos (caso se lembre), como se sentiu no dia seguinte e outros detalhes que achar relevantes. 

Esse diário pode ser substituído com tranquilidade por um smartwatch ou sleep tracker que faça a mesma função e com ainda mais precisão e informações obtidas por meio de algoritmos e inteligência artificial.

Precisamos falar mais sobre sono. Do mesmo jeito que falamos de saúde, alimentação e exercícios físicos. Continue acompanhando os conteúdos do Persono.

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